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“Aqui é... dois dias depois?”
Carlos levantou a cabeça e olhou ao redor, reconhecendo rapidamente onde estava naquele momento.
Ela estava na estrada logo após entrar no bairro do Beco da Torre do Relógio, de frente para o caminho de casa.
Pelo seu jeito, com certeza já teria ido buscar a carta de recomendação da delegacia assim que pegou o diploma, não é?
Carlos correu até debaixo de um beiral, tateou o bolso e logo encontrou uma carta embrulhada em papel-óleo; ao ver o envelope, finalmente suspirou aliviada.
Parece que se formou em segurança e conseguiu a carta de recomendação da delegacia... exatamente como havia planejado.
Precisa contar logo essa boa notícia para a irmã, pedir para ela largar o emprego e alugarem uma casa juntas perto da delegacia.
Carlos correu animada em direção a casa; mesmo com a barra do vestido molhada de lama, não se importou. Em Berlon chove a maior parte do ano, e depois de três anos morando ali, ela já estava acostumada.
“Dong—dong—”
O sino da hora do jantar soou, avisando às fábricas que era hora de liberar os trabalhadores para comer. Carlos caminhou pelas ruas ao som do sino, até que, ao virar uma esquina, foi diminuindo o passo.
Na porta do prédio 44, havia uma multidão reunida, todos comentando e avaliando a cena lá dentro.
“Carlos chegou!”
Alguém gritou, e todos se viraram para olhar Carlos; os que estavam no meio abriram caminho espontaneamente.
No centro da multidão, estavam deitados quatro ou cinco corpos, o sangue escorrendo misturado à água da chuva e às pedras negras do chão.
Na parte mais externa, Elísio estava deitado de costas, olhando para o céu. A camisa branca já estava manchada de sangue; sua traqueia havia sido cortada por um objeto afiado, o abdômen também estava aberto, com as entranhas espalhadas pelo chão, e os olhos ainda mostravam terror no momento da morte.
Ao lado dele estava aquele rapaz baixinho, com a garganta cortada com precisão. Ele tentava estancar o sangue com as mãos, mas não conseguia parar o jorro; o corpo se contorcia numa luta desesperada antes de morrer.