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Parte 54

Neste tempo, esta era praticamente uma doença sem solução, por isso Carlos estava ansiosa para encontrar um emprego antes de prestar vestibular, para tirar Letícia desse ambiente de trabalho o quanto antes.

“Isso ainda nem começou.” Letícia apenas deu de ombros, sem se importar, e olhou para Carlos sorrindo, como se não levasse essas coisas a sério.

A falta de instrução e o desconhecimento sobre certas doenças profissionais faziam com que Letícia não sentisse urgência em trabalhar ali; ela simplesmente achava que, se os outros podiam trabalhar ali, ela também podia.

“Daqui a pouco vou até a Igreja da Deusa Redentora na Torre do Relógio.” Carlos disse.

Ela veio aqui para dar um alô a Letícia, primeiro para evitar que, caso Letícia precisasse voltar mais cedo, não a encontrasse, e segundo para não levantar suspeitas do perseguidor.

De repente ir à igreja, sendo que nunca tinha ido antes? Certamente havia algo acontecendo.

Mas se ela conversasse com Letícia, que já era uma fiel, antes de ir, o perseguidor, sem ouvir a conversa, acabaria imaginando outra coisa, reduzindo o risco de chamar atenção.

“Ah... hã? Você vai mesmo à igreja?” Letícia assentiu, apertou de leve a bochecha de Carlos e sorriu: “Muito bom, mande lembranças ao Padre Manuel por mim.”

Na região da Torre do Relógio, a Igreja da Deusa Redentora era praticamente hegemônica, sendo a fé da grande maioria dos trabalhadores.

Afinal, eles distribuíam comida gratuita todos os dias, e quem fosse rezar nos dias de descanso ainda ganhava algumas moedas. Além disso, havia um motivo ainda mais importante: a hora e meia de descanso dos trabalhadores, todos os dias às seis e meia da tarde, foi uma conquista da Igreja da Deusa Redentora.

A enorme torre que se erguia no centro do bairro da Torre do Relógio foi construída pela Igreja da Deusa Redentora, e a própria torre fazia parte da igreja. Ela era tocada todos os dias às seis e meia da tarde, lembrando os donos das fábricas de liberar os trabalhadores para o descanso.

Letícia naturalmente também era uma fiel, e já tinha levado Carlos para rezar várias vezes, mas depois que Carlos percebeu que não havia nenhum sacerdote capaz de lançar magia sagrada, perdeu o interesse pela igreja.

Afinal, ela era ateia.

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