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Parte 136

De acordo com o que a diretora Joana disse, com a bolsa de estudos reduzindo a mensalidade pela metade, somando as despesas de alimentação e moradia, o preço final seria quase o mesmo que aqui.

Mas poder estudar aqui só foi possível porque a irmã dela usou a indenização que recebeu por ter ficado desfigurada, além de trabalhar exaustivamente, conseguindo assim pagar com muita dificuldade.

Agora, porém, a indenização já havia sido totalmente consumida, e contando apenas com o salário de uma trabalhadora comum, não havia como sustentar uma universitária que não produzia nada.

Ela também queria aproveitar uma vida tranquila na universidade, mas não agora; pelo menos teria que esperar até arrumar tudo e legalizar o dinheiro antes de pensar em assuntos universitários.

“Desta vez, eu vim por causa da carta de recomendação para o cargo na delegacia de polícia de Berun.” Carlos abaixou a cabeça, sem ousar olhar para a diretora Joana.

O ar ficou em silêncio por um bom tempo, até que Carlos sentiu Joana devolver o envelope que ela havia colocado sobre a mesa.

Em seguida, Joana sentou-se trêmula atrás da mesa do escritório, procurou por um tempo e tirou uma carta, começando a escrever nela.

Ela escrevia devagar, e até errou algumas palavras em certos trechos, o que era raro. No final, depois de carimbar com o selo de assinatura, colocou a carta no envelope e começou a derreter a cera com uma vela.

Durante todo esse processo, as duas não trocaram uma palavra, apenas permaneceram em silêncio. Quando Joana derramou a cera no lacre da carta e carimbou com o selo da academia, entregou o envelope para Carlos.

“Obrigada, diretora Joana.” Carlos estendeu a mão para pegar o envelope e agradeceu, mas não conseguiu puxar a carta da mão dela.

Carlos olhou para Joana, e percebeu que, naquele momento, Joana a encarava com seriedade.

“Você ainda não desistiu de estudar, certo?” Joana perguntou.

“...Sim.” Carlos assentiu.

Se fosse possível, ela também gostaria de seguir normalmente esse caminho.

“Que bom.” Joana soltou a mão, sem mais olhar na direção de Carlos, apenas murmurou como se falasse consigo mesma: “A carta de recomendação para a Universidade de Ansu continua válida, mas se perder este ano letivo, só poderá tentar no próximo... Você é uma moça determinada, vá em frente sem medo...”

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