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Parte 74

Carlos estendeu a mão para o frasco translúcido contendo a poção mágica, puxou lentamente a rolha de madeira especial no topo e levou o frasco até a boca.

A névoa negra dentro do frasco saiu rapidamente, como um pequeno espírito negro, indo direto para os pés de Carlos.

E a poção?

“Tum—”

A velha viga de madeira finalmente não suportou mais o calor intenso do fogo, quebrou e caiu, mas, pouco antes de atingir Carlos, partiu-se ao meio e rolou para o lado.

Nesse momento, as chamas, os corpos, tudo parecia se afastar; em sua mente, como slides, várias cenas passaram rapidamente.

A cena de Letícia morrendo tragicamente na porta de casa, o bolo no chão misturado à água suja, o creme branco entrelaçado com o chão de pedras negras;

O cano da arma encostado em sua testa, a primeira vez que escolheu abandonar a própria vida para não deixar o ritual do outro se completar;

O bar sob a luz amarelada, Silva morto ao lado, ilusões distorcidas, uma figura de manto negro indescritível se aproximando lentamente...

O som do tiro ainda ecoava em seus ouvidos; Carlos, que havia revertido a morte, como um morto-vivo, decepou a cabeça de Tomás golpe após golpe.

O fogo maligno e a malícia começaram a se espalhar pelo peito de Carlos; uma sensação incontrolável de prazer fez a cena à sua frente começar a se rasgar, como se finalmente tivesse se vingado.

O fogo em seu coração e o fogo do lado de fora arderam juntos, incendiando Carlos.

As chamas intensas queimavam dentro dela, alimentadas por um ódio e uma raiva que pareciam não ter fim, e sob a luz desse fogo, a sombra de Carlos, tremulando com as chamas, começou a se contorcer.

A sombra negra rompeu suas amarras, suas bordas se dissipando como névoa, como se chamas negras tivessem se acendido.

Apoiada no chão, ela se ergueu lentamente atrás de Carlos, os longos cabelos como fumaça negra se espalhando atrás de si.

Ela abriu lentamente os olhos, um brilho branco fluía em seu olhar conforme se movia, como se fosse a silhueta em chamas de Carlos, encarando todos à sua frente com olhos penetrantes.

“Ploc—”

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