Content

Parte 37

O homem de manto preto estendeu a mão e, lentamente, tirou o capuz. A luz quente do lampião a gás iluminou seu rosto, revelando aquelas protuberâncias que pareciam se mover como se tivessem vida própria.

Aquelas protuberâncias agitavam-se sob sua pele, como pequenos tentáculos, balançando freneticamente, como se quisessem rasgar suas bochechas e escapar.

A cena era tão aterrorizante e inexplicável que mais uma vez deixou Bruno chocado. Aqueles pequenos seres silenciosos pareciam emitir gritos agudos, fazendo com que o pensamento de Bruno ficasse lento.

Definitivamente, era alguém com habilidades especiais.

Ele próprio estava à beira da morte, e de fato aquele homem poderia salvá-lo.

Bastava seguir o que ele dizia, realizar aquele ritual chamado "Vingança", e ele também poderia possuir o poder de um deus...

Bruno lentamente afrouxou a mão que segurava o copo com força, acalmando-se aos poucos.

"Tom—"

De repente, o som de um objeto caindo do lado de fora fez o corpo de Bruno estremecer levemente, e o homem de manto preto à sua frente rapidamente puxou o capuz, virando-se para olhar na direção da rua — sua mão se fechou em um punho apertado, aparentemente irritado por ter sido interrompido.

"É um dos seus homens?" O homem de manto preto olhou para Bruno com certa irritação e perguntou.

"Impossível, já mandei todos embora", disse Bruno, mas sua mente parecia dispersa, como se ainda não tivesse se recuperado das emoções intensas de instantes atrás. Olhando para o copo de vidro em sua mão, disse lentamente: "Talvez seja alguém de Pombal vindo fazer um relatório."

"Vou lá fora dar uma olhada." O homem de manto preto lançou um olhar na direção de Bruno, sabendo que o outro não teria reação por um tempo, e saiu diretamente em direção à porta.

"Trililim—"

Estendendo a mão, empurrou a porta de vidro e madeira da taverna. Quando a porta bateu no sino, soou um tilintar. Ele espiou lá fora, olhando ao redor, mas não viu nenhuma silhueta na rua escura, nem havia qualquer pedestre.

Na rua silenciosa, ouvia-se apenas o som de ratos ou insetos correndo, e ocasionalmente o ronco de alguém dormindo profundamente no prédio ao lado. Tudo parecia tão calmo quanto sempre.

Table of Contents