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Restando apenas o último suspiro, Tomás, forçando suas últimas forças vitais, olhou para Paulo à sua frente e perguntou, trêmulo: "Por... que..."
Por quê... Faltava tão pouco para dar certo... Bastava instigar Silva a matar as pessoas ao redor dele e depois matar aquela garota... Por quê...
Em seguida, ele viu o rosto de Paulo.
Querosene marrom de má qualidade escorria por aquele rosto cheio de medo e dor; nos olhos extremamente aterrorizados dele, já não era possível distinguir se era querosene ou lágrimas que desciam.
Seguindo o corpo de Paulo, Tomás olhou para trás dele e viu aquela figura ruiva e indistinta.
Cabelos vermelhos...
Por quê...
Como isso é possível...
Tomás viu, impotente, seus cadernos e duas poções mágicas flutuarem até as mãos daquela garota como se voassem pelo ar; o corpo de Paulo também desabou sobre Tomás. Quando a garota estendeu a mão para pegar os objetos, o lampião de querosene na parede ao lado, após balançar violentamente, caiu.
As chamas seguiram o rastro de querosene e se espalharam pela loja, pouco a pouco incendiando o piso de madeira. Tomás viu o fogo se aproximar cada vez mais, o medo crescendo dentro dele a cada segundo...
Boom—
No instante em que as chamas tocaram o querosene em seus corpos, uma enorme labareda explodiu, seguindo o rastro de querosene até o balcão e incendiando também Silva.
Enquanto isso, Carlos se espreguiçou lentamente, guardou os dois cadernos e as duas poções mágicas no peito e se virou para ir embora.
Bum—!
O querosene espalhado incendiou outros barris de vinho e de querosene, provocando uma explosão violenta. Todos os vidros da taverna se estilhaçaram, as luzes ao redor começaram a se acender e uma mulher gritou.
E o responsável por tudo isso, Carlos, já havia virado a esquina e entrado num beco, sem nem olhar para trás.
...
Voltando para casa pela janela, Carlos fechou a janela, puxou bem as cortinas, sentou-se na cama e soltou um longo suspiro de alívio.