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Parte 58

“Que menina bonita...” O mascarado sorriu, levantou a mão e retirou o capuz com bordas de fios prateados, deixando cair uma longa cabeleira prateada levemente ondulada.

Ela recolheu as mãos, pousou-as sobre a própria máscara e, com leveza, retirou-a, revelando um rosto delicado como uma escultura. No entanto, seus olhos permaneciam fechados, mesmo após tirar a máscara, transmitindo uma aura sagrada e comovente.

Pensando bem, aquela máscara também não parecia ter aberturas para os olhos.

“Deixe-me me apresentar, meu nome é Jorge, Jorge·Mora, sumo-sacerdotisa da Igreja da Deusa Salvadora.”

É mesmo a sumo-sacerdotisa Jorge... Carlos olhou para aquele belo rosto, refletindo.

Pelas descrições de Du Wen nas anotações de pesquisa, Carlos sempre imaginou que a sumo-sacerdotisa Jorge fosse uma mulher de meia-idade, severa, rígida com as doutrinas, mas sem muita pose. Não esperava que ela tivesse a aparência de uma jovem de cerca de dezessete anos, cheia de vitalidade.

“Meu nome é Carlos.” Carlos baixou levemente a cabeça em sinal de respeito.

No começo, ela pensou que a outra pessoa fosse algum tipo de pervertido, já que a abraçou de repente e ainda quis tocar seu rosto. Mas, depois que a outra tirou a máscara, Carlos ficou aliviada.

Afinal, a outra pessoa não enxergava, não era nenhum pervertido.

“Manuel padre, pode nos levar à capela lateral? Tenho algumas perguntas para esta garota.” Jorge voltou-se para o padre Manuel e perguntou.

“Será um prazer.”

Manuel conduziu Jorge em direção à nave lateral, com Carlos seguindo ansiosa logo atrás. Quanto ao revólver, continuava deixado no banco de orações do lado de fora.

Atravessando a nave lateral, Manuel abriu uma das portas, revelando uma pequena capela.

Esse lugar geralmente era reservado para orações privadas de pessoas importantes, usado para preces pessoais e pequenos rituais. O chão era coberto por tapetes, havia um pequeno altar no centro e uma estátua da deusa, tornando o espaço bastante reservado.

Assim que Jorge e Carlos entraram, Manuel fechou a porta. Num instante, toda a capela ficou em silêncio, sendo possível ouvir apenas a respiração das duas.

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