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E atrás desses corpos, sentada nos degraus brancos da porta de casa, tingidos de sangue, havia uma figura. Ela segurava uma faca afiada, com o cabo prateado cravado no olho direito, e seu rosto aterrorizante estava congelado em uma expressão distorcida.
Um buquê de flores ensanguentadas se espalhava ao seu redor, e nos degraus havia um bolo de creme tombado. Sobre ele, uma placa de açúcar com os dizeres “Parabéns pela formatura, Carlitos~”, era lavada pela chuva, e as letras vermelhas derretidas escorriam como sangue.
“Tum!”
Era como se o crânio de Carlos tivesse sido atingido por um martelo de ferro, e o sentimento leve de antes despencou de repente.
A chuva gelada batia em seu rosto, mas ela sentia como se seus olhos estivessem sendo queimados pelo sol escaldante.
O que... aconteceu?
“Ali... são pessoas do Partido da Água Negra!”
“Vá embora... menininha, você também, vá logo.”
A chegada de um grupo fez com que os moradores ao redor se dispersassem em pânico.
Logo, a rua antes cercada por curiosos ficou completamente vazia, sem ninguém sequer para observar.
“Seis e trinta e um... por que houve um desvio no ritual?”
“Clack——”
Uma voz masculina envelhecida soou atrás de Carlos.
Com o som nítido do cão sendo puxado, o cano metálico da arma na mão do homem já estava apontado para a garota ruiva à sua frente.
Seria um sonho...
O frio começava a se espalhar do coração de Carlos até os pés e a testa, e seu olhar não conseguia se desviar da figura nos degraus. A chuva gelada não conseguia dissipar aquela cena diante de seus olhos.
O que aconteceu? Por que... tudo ficou assim?
“Bang——!”
Com o disparo do revólver, uma dor lancinante atingiu a nuca de Carlos, e o mundo diante de seus olhos foi envolto por uma luz prateada.
Quando a luz finalmente se dissipou, a chuva fria desapareceu, e o aroma de lareira antiga e pão assado pairava no ar. Ela olhou para a tela prateada à sua frente, com mãos e pés gelados.
...
「Realidade」
「Ano Sagrado 741, 17 de junho」