Carlos acordou de manhã cedo e se espreguiçou.
Era a primeira vez que ela dormia uma noite inteira dentro da simulação. Quando acabou de acordar, ainda estava um pouco confusa entre realidade e futuro, até que, ao se lavar, viu seus cabelos cacheados no espelho e só então, meio sonolenta, percebeu onde estava.
Afinal, tudo dentro da simulação era tão real que parecia outro mundo paralelo.
Ela olhou para o relógio. Agora eram dez horas da manhã, o que era o máximo que já dormira até então. O som da chuva fina parecia tornar o sono ainda mais profundo.
Puxou um pouco a cortina e olhou para fora. Na rua, como de costume, havia uma multidão; carroças e carrinhos de mão transportando mercadorias passavam sem parar, e algumas crianças sujas brincavam do lado de fora, empurrando aros de arame com varas.
O fato de ter conseguido dormir tanto já dizia muito: o contrato de ordem era realmente eficaz, Helena cumpriu sua promessa e não veio lhe causar problemas.
Carlos deu uma olhada no tempo do sistema.
"Tempo restante: 08:24:54"
Já se passaram 15 horas e 35 minutos dentro da simulação, e agora só restam 8 horas e 24 minutos para agir livremente.
Graças ao sono da noite passada, as feridas em seu corpo já não doíam mais, restando apenas uma sensação de coceira e dormência.
Parece que o remédio que a sumo-sacerdotisa Jorge usou nela funcionou bem.
Se conseguir sobreviver a esta simulação, Carlos decidiu salvar diretamente este progresso no arquivo do personagem, assim não precisaria mais suportar a dor das queimaduras toda vez que usasse esse personagem para entrar na simulação.
O que fazer com o tempo que resta?
Depois de perder a maior ameaça, Carlos ficou um pouco perdida por um momento.
Ela pegou o caderno ao lado da mesa e começou a escrever e desenhar, fazendo uma lista de planos.
[1. Ir dar uma olhada na Mansão Dutton]
[2. Ir ao diretor da academia pedir a carta de recomendação para a delegacia, conforme planejado]
[3. Pedir dinheiro emprestado para Ana]
[4. Pedir dinheiro emprestado para Helena]
[5. Assaltar um banco]
[...]
Conforme escrevia, os planos começaram a ficar cada vez mais absurdos.
Como era uma simulação, Carlos não se preocupou muito com limites morais ao fazer seus planos.